Máscaras e Mitos

Há muito tempo, antes da contagem dos dias, o mundo era regido pelo Sombramuro — um deus invisível que semeava o medo entre as criaturas.

Seu domínio era mantido por três véus: o véu da ignorância, o véu do silêncio e o véu do domínio. Esses véus caíam sobre os olhos dos nascidos e os faziam crer que viver para obedecer era tudo o que podiam fazer.

Nesse tempo, em uma aldeia escondida entre montanhas, nasceu uma criança chamada Alaía. Desde pequena, ela ouvia o que os outros não ouviam: sussurros que vinham das pedras, dos ventos e dos corpos das mulheres cansadas.

Esses sussurros lhe diziam:

"Há um fogo que dorme em ti, e ele é feito de amor, e amor é chama que rompe véus."

Quando Alaía cresceu, percebeu que sua aldeia vivia em silêncio. As mulheres andavam com os olhos baixos. Os homens repetiam as palavras do Sombramuro, sem saber que estavam acorrentados por elas.

Alaía decidiu partir em busca do fogo que dormia em si.

Na floresta sagrada, encontrou a Serpente de Mil Olhos, uma criatura antiga que guardava a chama do saber.

A Serpente disse:

— Só aqueles que amam além do medo podem tocar este fogo.
Amor que enfrenta.
Amor que escuta.
Amor que não finge cegueira.

Alaía mergulhou no rio das memórias, viu todas as dores de sua linhagem, sentiu em seu corpo as feridas de suas antepassadas, mas não recuou.

Ao emergir, seu peito ardia com a chama do amor radical.

Um fogo que não destrói, transforma.

Com esse fogo, voltou à aldeia. Onde falavam com ódio, ela respondia com verdade. Onde havia silêncio, ela contava histórias. Onde havia obediência cega, ela ensinava a pensar, a sentir, a resistir.

Muitos resistiram.

Mas muitos mais despertaram.

Dizem que Alaía nunca morreu.

Dizem que ela se tornou a Guardiã do Fogo Silencioso, o fogo que queima no coração dos que ousam amar com coragem e ensinar com ternura.

E, até hoje, quando uma criança questiona, quando uma mulher ergue a voz, quando um homem desaprende a violência, o véu do Sombramuro se rasga um pouco mais.

A Guardiã do Fogo Silencioso

por Eduarda Oliveira

A Bruxa
Por Magia

A Corvina
Por Islany Valentim

A Guardiã do Fogo Silencioso
Por Eduarda Oliveira

A Jurameira
Por Camila Rodrigues

A Justiceira dos Sonhos
Por Leticia Rodrigues

As Ariranhas
Por Joana Crispim

Ayoara e os Povos de Moyaruna
Por Jenifer Silva

Bwa
Por Isabella Santos

Deusa Esquecida
Por Samila Sindlay

Femina Libera - a Cortadora de Fios
Por Melyssa Cavalcanti

Iandé
Por Vini Braz

Joalena e as 14 Curandeiras
Por Thress

Mariana
Por Fernanda Galdino

Yaya
Por Anna Freira

Máscara
Por Cláudio José

Máscara
Por GG

Máscara
Por Cibelle Vieira

Máscara
Por Laira Rauane

Máscara
Por Candellabro

Máscara
Por Guilherme Sebastião

© 2026. Todos os direitos reservados.

Cia Biruta de Teatro

Associação Cultural Cia Biruta de Teatro
CNPJ: 10.567.286/0001-45