Máscaras e Mitos

Dizem que, em noites silenciosas, em que as mulheres estão prestes a desistir do amor como forma de liberdade, ela, que não tem nome, a Justiceira dos Sonhos, carrega consigo um tambor para despertar os instintos mais aguçados das mulheres para quem aparece. Seu cheiro forte de alfazema derruba muros e atravessa o inconsciente, trazendo um sopro suave e uma mensagem.

A Justiceira dos Sonhos carrega também um espelho, que não reflete o rosto de quem olha, mas as marcas invisíveis deixadas por amores errados, as feridas deixadas por amores que vieram para diminuir e controlar. Mostra também a verdade oculta nas intenções alheias e a transformação causada pela existência verdadeira do amor e do cuidado.

É ela quem sussurra nos ouvidos adormecidos:

"Amor não é prisão. Amor é prática diária. Amor é cuidado. Amor não tem a ver com medo de estar só, mas com a coragem de estar inteira."

Para cada sonho em que aparece, ela deixa uma mensagem ou uma missão. Para algumas, ensina a dizer não; para outras, ensina a acolher a própria vulnerabilidade; para outras, ainda, ensina o caminho de volta para si; às demais, entrega sementes para plantar novos encontros.

Ela é uma mensageira. Mostra não o caminho do amor verdadeiro, mas aquilo que o transborda: quando ouvimos com paciência quem nunca foi escutado; quando dizemos não a relações que nos diminuem; quando cuidamos de outras mulheres, não por obrigação, mas por compromisso com o coletivo; quando nos olhamos com gentileza e paramos de repetir as ofensas que nos ensinaram; quando transformamos dor em criação; quando ensinamos o que sabemos; quando compreendemos que a liberdade do outro não ameaça a nossa.

Ela veio muito antes das palavras. Seu rosto ninguém conhece, pois ninguém a viu. Ela é cada uma de nós quando escolhemos o amor justo e inteiro.

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