

A princípio, eram só elas, as Ararianas, como eram chamadas naquela sociedade justa e igualitária. E conseguiram comandar os rios, os mares, a terra e o fogo.
Elas, com suas seis patas, protegiam seu povo dos males que vinham do outro lado do limo. O limo as protegia com sua forma viscosa, pegajosa e cheia de lodo.
Elas usavam seus poderes paranormais. Com um sopro, transformavam em pó tudo o que as ameaçasse.
Mas, um dia, elas estavam festejando o Dia dos Cactos Roxos (símbolo que as conectava com a natureza). Os cactos roxos eram encantados: lhes forneciam alimentos e armas, como também resiliência, força, perseverança, liberdade e altruísmo.
A comemoração acontecia no último dia da translação. Nesse último dia, os cactos verdes passavam três dias roxos, com seus espinhos doces e suculentos.
Foi nesse dia, por um pequeno descuido das Ararianas Mor, que ele veio de mansinho. O que todos temiam aconteceu. Vindo do fundo das buraqueiras, surgiu o Tatu, usando seu cheiro para entorpecer quem chegasse perto. Saindo por debaixo da terra, com força e artimanhas, ludibriou e levou consigo as Mestras, para fazer delas suas escravas.
E assim durou por algum tempo. Mas elas não desistiram, sempre com esperança de se livrarem daquele mundo hostil, sórdido e sem compaixão.
As Ararianas se uniram à sombra dos cactos roxos, planejaram tudo e foram à guerra. Não só salvaram as Mestras, como também amaldiçoaram o Tatu e toda a sua linhagem:
"Viverás para sempre a cavar no subterrâneo, terás hábitos noturnos e jamais conseguirás viver em sociedade."
E, até hoje, eles fogem buraco abaixo.
As Ararianas
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