

Juremeira é a guardiã das mulheres que habitam a Caatinga. Criadora das rezas fortes, é fonte de cura e proteção. Àquelas que a seguem, ela transmite ensinamentos de sabedoria, resistência e força, para que não se deixem abater dia após dia.
Vive de forma discreta entre os galhos retorcidos da Caatinga. Seu rosto está sempre coberto por uma máscara sagrada, jamais revelado a ninguém. Ainda assim, sua presença é sentida: ela observa, vela e protege.
Juremeira acompanha silenciosamente a luta das mulheres contra os perigos que rondam a mata da Caatinga. Seus maiores inimigos são os capangas dos senhores de terra, que caçam mulheres para aprisioná-las, subjugar seus corpos e forçá-las a gerar filhos sem consentimento.
São nesses momentos que Juremeira age: suas rezas ecoam como o grito de uma rasga-mortalha, atravessando os ouvidos dos homens como uma lâmina. Eles ficam atordoados, tontos, tomados por dores intensas, sangrando por todos os poros até que não reste nenhum sinal de vida.
Ao cair da tarde, quando o céu se tinge de laranja-avermelhado, as mulheres da Caatinga sabem: mais um dia foi vencido. É o sinal de que Juremeira esteve presente
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