Máscaras e Mitos

No início dos tempos, o mundo era equilibrado: havia duas forças que criavam todas as coisas. A Deusa Aluê, mãe da liberdade, e o Deus Voran, senhor da ordem. Juntos, dançavam a criação em um ciclo de troca, respeito e amor.

Aluê tinha a pele que reluzia ao sol e os olhos de pantera, tão negros que lhe permitiam se camuflar na noite. Seu coração era puro. Suas vestes, etéreas. O amor que emanava do seu ser alcançava cada um que também cultivasse a justiça e a mutualidade.

Voran, por sua vez, era impiedoso. Necessário, sim, em certos momentos, mas caminhava sobre uma linha tênue entre a luz e a escuridão. Guardava espelhos quebrados em outras dimensões. Neles, via a si mesmo de forma distorcida, grande demais, como se tivesse sempre que ser duro demais.

Foi quando começou a desejar o controle. Ele acreditava que, se tivesse domínio total sobre as decisões e os sentimentos, poderia impedir o caos. Convenceu as criaturas a seguirem apenas suas regras, dizendo que era para protegê-las.

Aluê, então, foi esquecida. Seu nome foi proibido, sua imagem apagada dos altares. O amor passou a ser medo, e o cuidado virou submissão. As mulheres foram ensinadas a se calar, e os homens, a dominar. O mundo perdeu a dança e aprendeu a guerra.

Com o tempo, os corações adoeceram. As pessoas se perguntavam por que o amor machucava, por que as mães choravam sozinhas, por que os filhos não sabiam amar.

Foi então que uma menina nasceu com os olhos de Aluê. Ela sentia a dor dos outros e ouvia os sussurros da Terra. Um dia, ao ver sua mãe ser silenciada, gritou o nome esquecido: Aluê.

No mesmo instante, as raízes tremeram, as águas se agitaram, e o mundo lembrou. A Deusa despertou. Mas não voltou em guerra: voltou como vento suave, ensinando que o amor não é prisão e que ninguém precisa ser menos para que o outro seja mais.

Voran chorou. Compreendeu que a ordem nem sempre era guerra e, de forma alguma, precisava ser dominação. Passou a ver seu reflexo somente através da água límpida, verdadeira, não mais em espelhos partidos e fragmentados.

O equilíbrio entre força e sensibilidade, resistência e vulnerabilidade, olhos analíticos em meio às trevas que iluminavam durante o dia, ouvidos sensíveis para a terra e a imponência necessária, Sayara restabeleceu novamente a ordem natural das coisas.

Desde então, dizem que, sempre que alguém ama com justiça, Aluê renasce. E o mundo dança, mesmo que por um instante, como dançava no começo.

Deusa Esquecida

por Samila Sindlay

A Bruxa
Por Magia

A Corvina
Por Islany Valentim

A Guardiã do Fogo Silencioso
Por Eduarda Oliveira

A Jurameira
Por Camila Rodrigues

A Justiceira dos Sonhos
Por Leticia Rodrigues

As Ariranhas
Por Joana Crispim

Ayoara e os Povos de Moyaruna
Por Jenifer Silva

Bwa
Por Isabella Santos

Deusa Esquecida
Por Samila Sindlay

Femina Libera - a Cortadora de Fios
Por Melyssa Cavalcanti

Iandé
Por Vini Braz

Joalena e as 14 Curandeiras
Por Thress

Mariana
Por Fernanda Galdino

Yaya
Por Anna Freira

Máscara
Por Cláudio José

Máscara
Por GG

Máscara
Por Cibelle Vieira

Máscara
Por Laira Rauane

Máscara
Por Candellabro

Máscara
Por Guilherme Sebastião

© 2026. Todos os direitos reservados.

Cia Biruta de Teatro

Associação Cultural Cia Biruta de Teatro
CNPJ: 10.567.286/0001-45