

Bwa era uma retirante que vivia com o marido e os filhos em pleno sertão. Era violentamente oprimida por seu marido, um sertanejo bruto, pois, se ela não fizesse os trabalhos da casa e não fosse totalmente submissa a ele, era agredida e abusada.
Os filhos, já fartos de ver a mãe sofrendo, buscavam enfrentar o pai, mas também acabavam apanhando.
Sempre que alguém de fora ia alertá-la sobre os acontecimentos, Bwa retrucava:
— Que diabo de agressão, menino? Meu marido é um cabra arretado, que só quer o mió pra família.
E as pessoas próximas falavam:
— Essa nega véia é acostumada a sofrer. A mãe sofreu com o pai, a vó sofreu com o vô e ela sofre com o marido.
Após sofrer por anos, em um dia de chuva, Bwa se cansou e resolveu tomar uma atitude. Quando o sertanejo chegou bêbado em casa e foi para cima dela, ela quebrou uma garrafa na cabeça dele.
Ele não deixou por isso mesmo. Pegou a espingarda e foi atrás para matá-la.
Mas algo aconteceu.
Naquela noite, em meio ao toró, Bwa se transformou em um animal indescritível, cheio de fúria e garra, e foi para cima do marido, que fugiu com medo.
Após aquela noite, Bwa juntou seus trapos e fugiu para a cidade com seus filhos. Começou a lutar pela causa feminista e pelos direitos das mulheres e, toda vez que ouvia o chamado de alguma mulher em perigo, se transformava e ia em busca de salvá-la.
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