Máscaras e Mitos

Em um povoado, um lugar composto, em sua maioria, por mulheres, não existia a figura de um provedor. Mas existia Yaya.

Ela cuidava de tudo: das crianças, das dores, das receitas e dos chás que curavam as febres do corpo e da alma.

As mulheres da vila se reuniam em roda, e Yaya estava sempre lá, orientando e ouvindo.

Um dia, chegou um homem de fora, ferido e fraco. Yaya o acolheu. Limpou suas feridas, deu-lhe abrigo e ofereceu alimento.

Ela sabia de onde ele vinha, embora ele não tivesse dito.

Passado algum tempo, esse homem, já fortalecido, passou a dizer que aquele povo precisava de uma pessoa para estar à frente: um homem.

Yaya, por sua vez, muito sábia, não o impediu. Apenas observou.

O homem começou a andar pela vila, fazendo discursos, prometendo melhorias e pintando uma nova ordem.

Recebeu apoio dos poucos homens que ali viviam e até de algumas mulheres.

Conseguiu.

Ocupou um lugar que dizia ser seu.

E exigiu de Yaya os parabéns e uma sopa daquelas que ela fazia, pois "estava cansado".

Yaya saiu para preparar. Foi para a cozinha, onde as coisas fervem em silêncio.

Cantava cantigas enquanto cozinhava e serviu a sopa com mãos firmes.

Reuniu suas irmãs e disse:

"Não devemos deixar que nos silenciem e nos coloquem em um lugar que não é nosso."

Mandou todas para casa e voltou para a cozinha.

O homem estava passando mal.

A sopa ferveu dentro dele.

Ela se aproximou e disse:

"Este é o meu povo. Não vou deixar que você o destrua com suas ideias podres.
O veneno que queria plantar está em você."

Desde então, Yaya é uma figura que aparece nos povoados, nas casas e nas rodas de conversa ao redor da fogueira.

Aparece para as mulheres.

Sua história é passada de geração em geração, como receita de sobrevivência.

As mulheres chamam por ela, pedindo força e coragem para se insurgir.

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